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E na fúria dos meus dias, destes dias loucos, o que é que se passa, o que é que se passa comigo?
Quando penso que entendo um pouco mais da vida, descubro que não sei é nada. Nada, nada. E sou ruim em jogos, inclusive os de amor. Acho que, nesses, sou pior. Porque meu coração doido só faz responder ao que sente, ao que bate, ao que cala dentro dele, fundo, dolorido. Não sabe jogar. E, quando descobre que está enredado novamente, se cala e reage da pior maneira possível.
Em vez de amor, falo ódio. Em vez de perdão, mágoa. E tudo o que eu tinha para te dizer, calei novamente na garganta, a língua comprida se esconde em timidez, os braços que querem aconchego e lar e abraço apertado só fazem se juntar, mãos apertadas, punhos cerrados.
É que eu não sei, sabe. Eu não sei jogar. E antes eu achava que sabia tudo de amor, tola. Tola e um pouco ingênua. Continuo uma garota de 15 anos de alma, mas sem a convicção dos adolescentes de 15 anos. Vai ver é isso, envelhecer enlouquece a gente. E dói.
“(…)
Dreams last so long Even after you're gone I know you love me And soon you will see You were meant for me And I was meant for you
(…)”
(Jewel – “You were meant for me”)
“Silent night, broken night
All is fallen when you take your flight
I found some hate for you
Just for show
You found some love for me
Thinking I’d go
Don’t keep me from crying to sleep
Sleep in heavenly peace
Silent night, moonlit night
Nothing’s changed
Nothing is right
I should be stronger than weeping alone
You should be weaker than sending me home
I can’t stop you fighting to sleep
Sleep in heavely peace”
(Silent Night, em versão de Damien Rice)
“Eu vi quando você me viu, seus olhos pousaram nos meus num arrepio sutil
Eu vi, pois é, eu reparei, você me tirou pra dançar sem nunca sair do lugar
Sem botar os pés no chão, sem música pra acompanhar
Foi só por um segundo, todo o tempo do mundo, e o mundo todo se perdeu (…)”
(“Cupido”, Maria Rita)
Pendurei meu coração no varal, e ele se multiplicou em muitos corações alinhados, presos por um pregador de roupa. É mais ou menos assim: tem o céu azul, tem a árvore seca de inverno, tem o varal. E os corações, embora não sequem, também não pingam. É preciso que você os pegue na mão, um a um, doucement. E leve todos consigo para um lugar melhor, mais doce.
Arquivado em: Trilha sonora | Tags: Al Green, coração partido, sex and the city
Honestamente? Não sei.
“(…) Oh, you’re in my blood like holy wine
So bitter, and so sweet
I could drink a case of you, darling, and I’d still be on my feet, I would still be on my feet.”
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“Vai buscando as nuvens compactas,
como um samba perfeito,
nesta tarde de sol em que a poesia
é menos que a poesia.
Sabe onde estão os vidros da noite.
Tem dedos infinitos,
narinas transparentes,
imperfeitas sobrancelhas intocadas.
Nos seus quadris começa o mundo.
Seu passo aperfeiçoa o amor.
Há redes grávidas, amarelas
em toda a costa do mapa.
De cada bicho rouba uma surpresa.
Pantera branca, garota de colégio
(jamais um tigre de Bengala
desbotado); brancura acinzentada
do cinema em preto e branco.
E as palavras vivas, na boca viva,
são um pensamento livre.
(Ela deveria ter sido poupada para o mundo justo.)
Antes de se cansar, desaparece.
Depois amanhece.
Viver para ela deve ser bom.”
(Fabrício Corsaletti)
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Palavras são palavras, você sabe bem, eu sei bem. Não dá tempo de racionar, os dedos são mais rápidos e ardentes. Desejos também, muito mais rápidos do que os dedos e as palavras, às vezes eu me perco neles e me deixo levar assim, mansamente.
Quase como um abraço, sabe? Um abraço que envolve braços, pernas, corpo todo, alma também, se alma ainda existisse.
Mas não há alma, não. Deixei que ela partisse sozinha para conhecer outras linhas, estradas, paralelos, universos aqui e ali e mais adiante. Ela foi e deixou sozinho meu corpo, mas o coração ainda bate aqui, devagarzinho, quase morto, um susto de coração. Mas bate. Quando deito, sinto a sua carne muito vermelha se apertando e gemendo nas batidas suavíssimas de todo dia. De toda noite também, você sabe. Eu sei como são essas paradas, e idas e vindas, todo mundo sabe bem, todo dia.
Escreve, escreve, escreve. Deixa aqui e ali um pedaço de si, sozinho, amuado, perdido em algum canto estranho. Esquisito. Escreve, escreve, escreve. Suspira e lê. Pensa entender o que está escrito, passa adiante. Quando leio o que você tanto escreve, escreve, escreve, penso entender o que está escrito, e guardo dentro de mim. Mas acho que metade do que entendo não existe, é de mentirinha, é quase uma bobagem, ainda assim guardo, ainda assim me emociono e fico triste.
Eu ando sempre triste, você sabe bem, eu sei bem também. Metade de mim diz que está tudo bem, que tudo vai ficar bem, você sabe, e a outra metade extrapola e pensa no Cairo e nas pirâmides do Egito e em quem carregou aquelas pedras. Eu sempre penso em cada linha escrita e em que sentimento motivou os dedos a pegarem o papel e – zás! – escreve, escreve, escreve. Publica.
E aqui estou, lendo o seu escreve-escreve-escreve sem entender direito porque você passa adiante e eu guardo aqui pertinho, em mim, os seus segredos impublicáveis.
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“Es el amor. Tendré que ocultarme o huir.
Crecen los muros de su cárcel, como en un sueño atroz. La hermosa máscara ha cambiado, pero como siempre es la única. ¿De qué me servirán mis talismanes: el ejercicio de las letras, la vaga erudicción, el aprendizaje de las palabras que usó el áspero Norte para cantar sus mares y sus espadas, la serena amistad, las galerías de la Biblioteca, las cosas comunes, los hábitos, el joven amor de mi madre, la sombra militar de los muertos, la noche intemporal,
el sabor del sueño?
Estar contigo o no estar contigo es la medida de mi tiempo.
Ya el cántaro se quiebra sobre la fuente, ya el hombre se levanta a la voz del ave, ya se han oscurecido los que miran por las ventanas, pero la sombra no ha traido la paz.
Es, ya lo se, el amor: la ansiedad y el alivio de oir tu voz, la espera y la memoria, el horror de vivir en lo sucesivo.
Es el amor con sus mitologías, con sus pequeñas magias inútiles.
Hay una esquina por la que no me atrevo a pasar.
Ya los ejércitos me cercan las hordas.
(Esta habitación es irreal, ella no la ha visto).
El nombre de una mujer me delata.
Me duele una mujer en todo el cuerpo.”
(Jorge Luis Borges)
